"Estamos a exportar serviços para captar potencial eólico"

Solar XXI. O LNEG desenvolveu um edifício que produz a energia que consome e está a criar modelos prefabricados para usar na reabilitação urbana. Faz um atlas geotérmico da crosta terrestre, a bem do ambiente.

 Teresa Ponce de Leão, Presidente do LNEG

 Teresa Ponce de Leão, Presidente do LNEG

 

Totalmente autossustentável do ponto de vista energético, o Edifício Solar XXI é não só um ex-líbris do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) como também a nível europeu, constituindo uma referência no universo dos edifícios inteligentes, apesar de construído há já dez anos.

Concebido pela equipa de eficiência energética do LNEG, o edifício tem a particularidade de aproveitar a inércia térmica da terra (já conhecida na era romana) para fazer passar uma tubagem debaixo de terra que, graças à inércia térmica, faz circular e arrefecer o ar dentro dos gabinetes, dispensando ar condicionado, explica a presidente do LNEG, Teresa Ponce de Leão. A particularidade do Solar XXI não acaba aqui: "Através de painéis fotovoltaicos colocados na fachada, ligeiramente afastados da parede, não só produz energia suficiente para as necessidades de todo o edifício como permite que o ar circule por trás do painel, poupando no sistema de arrefecimento que tradicionalmente compromete a eficiência máxima dos painéis solares", acrescenta a engenheira eletrotécnica Teresa Ponce de Leão.
Dez anos depois daquela inovação em termos europeus, o balanço traçado é muito positivo: "O edifício de escritórios produz não só toda a energia de que necessita, aquecendo através de painéis solares, como o custo de construção por metro quadrado foi dentro da média dos edifícios no Lumiar, em Lisboa." Dez anos depois, aquele exemplo está a inspirar o LNEG a desenvolver modelos prefabricados com algumas características idênticas de eficiência energética para reabilitação urbana, adiantou aquela responsável.

Na frente eólica, o LNEG também tem projetos de peso, exportando serviços para países como Angola, Moçambique ou Venezuela. Em causa estão trabalhados de levantamento do potencial dos recursos eólicos a nível nacional, que começou com a EDP em Portugal e está a internacionalizar-se.
A prestação de serviços nesta área – que contribui para a angariação de receitas próprias do LNEG – passa também pela monitorização do desempenho dos parques eólicos ou pelo desenho das turbinas eólicas e colocação no terreno, de modo a alcançarem o melhor potencial.

Na sua vertente geológica, o LNEG está a desenvolver um projeto que se relaciona com eficiência energética e que consiste no desenvolvimento de um atlas geotérmico da crosta terrestre portuguesa. "O atlas já está feito e permite que possam ser feitas perfurações em zonas com potencial calorífero apropriado para aproveitamento em edifícios, permitindo também recolher toda a informação disponível sobre aptidões termais em várias regiões do país."
Para Teresa Ponce de Leão, a missão do LNEG passa por "desenvolver investigação e transferir o conhecimento produzido para a sociedade, nomeadamente para o setor empresarial, e auxiliando as políticas públicas". Por outro lado, sublinha "o trabalho estreito e em rede e com os seus pares europeus" e as candidaturas, bem–sucedidas, a programas de financiamentos comunitários em consórcio. "Já temos projetos a decorrer no âmbito do Horizonte 2020 e no último programa-quadro fomos a entidade nacional com maior volume de projetos financiados."
Porque a sua ligação é à sociedade, há uma aposta na redução de custos na indústria, com metodologias mais limpas, trabalhando em parceria com algumas associações industriais na vertente de redução de consumos e resíduos.

 

Carla Aguiar (Texto)

Paulo Spranger (Fotos/Global Imagens)


Fonte: www.energiainteligente.pt | Maio 2016

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