Palestra "Geoturismo e suas conexões com a Enologia"

A palestra realiza-se a 27 de outubro de 2016, às 11:00h, no Auditório Carlos Ribeiro, LNEG - Polo de Alfragide

Orador: José Manuel Romão

Resumo:

O cenário traçado pela Organização Mundial do Turismo (“OMT”) para a evolução mundial do sector turístico prevê um crescimento médio de 3,3% ao ano até 2030, o que equivale a um incremento anual de cerca 40 milhões de turistas. Só na Europa, o número de chegadas de turistas internacionais aumentou 4% na primeira metade de 2015, segundo o último barómetro da “OMT”. Em Portugal, o crescimento da atividade turística tem sido significativo nos últimos anos, esperando-se no presente ano superar os valores do ano anterior em cerca de 8,5 a 9%; este sector tem contribuído com cerca de 14% para as exportações totais anuais e cerca de 10% para o Produto Interno Bruto do País.

Como Portugal é caracterizado por diversidade paisagística e geológica relevante, o Geoturismo constitui uma oportunidade para que o turismo continue a crescer sustentadamente no nosso país, quer na faixa litoral, incluindo as ilhas, quer no seu espaço interior, como por exemplo na Região Demarcada do Douro. De facto, à escala internacional, o Geoturismo tem progredido acentuadamente, como pode ser confirmado por estudos de rentabilidade económica e social relativos ao impacto dos “geoturistas” em comunidades locais, nomeadamente nos Estados Unidos, onde presentemente mais de 55 milhões da população de adultos se considera “geoturista” (National Geographic, 2002).

Considerando ainda que o Geoturismo e Enoturismo incorporam espaços territoriais idênticos, que podem integrar o valor estético da paisagem e a sua conservação, a promoção e divulgação do património e desenvolvimento ambiental sustentável, para além de poderem conter patrimónios de natureza cultural, quer material quer imaterial. Outra conexão relevante entre geologia e enologia, porém mais restrita, mas não menos importante, consiste na forte inter-relação que existe entre o solo e a tipologia das vinhas de diferentes castas, que irão definir, na generalidade, as características organoléticas dos diversos vinhos.

Atendendo ao exposto, é uma importante mais-valia a integração nas atuais Rotas de Vinho de conteúdos de interesse geoturístico, criando-se assim novos itinerários “Geo-enológicos”. A elaboração de produtos cartográficos com estes percursos e de guias interpretativos, que incluem lugares com relevância geo-histórica, histórica e apelo aos sentidos, pode ser implementada ao nível regional, do concelho ou mesmo das quintas, porém a escalas apropriadas e constituindo sistemas organizados em rede. Estes produtos podem ainda ser implementados e dinamizados em Websites e nas redes sociais com elementos que gerem interatividade entre o público em geral e os turistas, nacionais e internacionais, em particular. Esta dinâmica pode ser ainda mais acentuada com a introdução de materiais ilustrativos, didáticos e expressivos, com explanações e interpretações (“histórias contadas”) sobre os geossítios, as vinhas e os vinhos, bem como as suas inter-relações.

Nota biográfica:

José Manuel Romão é Licenciado em Geologia pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Coimbra (1983) e Doutorado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (2001). Iniciou a sua carreira nos serviços Geológicos de Portugal (1983) e é atualmente Investigador Auxiliar do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) e Presidente da Associação Portuguesa de Geólogos.

Publicou mais de uma centena de trabalhos científicos em livros, revistas nacionais e internacionais, em atas e resumos, etc., e participou em diversos projetos, alguns dos quais como Investigador Principal. Desenvolveu ainda trabalhos de Cartografia Geológica a diversas escalas, tendo sido autor-coordenador de cartas na escala 1/50 000 e co-autor de cartas 1/1 000 000 e 1/500 000.

As suas atividades de ID&I têm estado focadas na Geologia do Paleozoico e do Pré-câmbrico, nomeadamente, na identificação e caracterização da litostratigrafia, do metamorfismo e das fases de deformação das orogenias Cadomiana e Varisca, com a finalidade de se arquitetar um modelo de evolução geodinâmica para o Maciço Ibérico.

Destinatários:

Todos os interessados nesta temática.

Data e hora:

27 de outubro de 2016 das 11:00h às 12:00h.

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