Palestra "Avaliação da Exposição à Sílica Cristalina Respirável na Indústria Transformadora de Rochas Ornamentais"

A Palestra realizou-se no dia 13 de março de 2018 no Polo do LNEG em S. Mamede de Infesta

Oradora: Maria Luísa Matos

Resumo:

A sílica surge na composição de rochas magmáticas, sedimentares e metamórficas. É um dos compostos minerais mais abundantes na crosta terrestre e aparece associado a várias aplicações industriais. As rochas ornamentais são definidas essencialmente à luz de duas principais categorias, os granitos e os mármores, distinguidas com base na sua composição mineralógica. A União Europeia é um dos principais produtores de rochas ornamentais, responsável por, aproximadamente, um terço da produção mundial. Portugal, é um dos principais produtores de rocha ornamental, tendo produzido cerca de 3.327.752 toneladas de granitos, mármores e calcários em 2015 (DGEG, 2016). A indústria transformadora é um subsetor da indústria extrativa, cujo processo produtivo se inicia com a extração, em pedreira, do bloco em bruto que posteriormente segue um processo de transformação – corte, polimento e acabamento. Desde a extração até à transformação da rocha há libertação de poeiras, de diversas granulometrias, que se mantêm em suspensão nos locais de trabalho. No caso da sílica cristalina, é a fração respirável a causa de problemas de saúde nos trabalhadores. As partículas de sílica podem danificar o tecido pulmonar e para garantir a proteção contra essas partículas, o sistema imunitário isola-as em tecidos de cicatrização, que em excesso dificultam a respiração. A exposição profissional desprotegida e não controlada a sílica cristalina respirável, sem cumprimento dos valores legais propostos na norma portuguesa NP1796:2014, pode dar origem a doenças graves como a silicose, classificada como uma doença profissional segundo o Decreto Regulamentar 76/2007 de 17 de Julho. O processo patológico da silicose pode causar graves complicações, designadamente cancro do pulmão, tuberculose e doenças autoimunes como a artrite reumatoide. Apresentou-se uma avaliação da exposição ocupacional, a poeiras respiráveis, de trabalhadores da indústria transformadora de rochas ornamentais, com recolha e análise gravimétrica da poeira respirável, seguida de determinação da sílica livre cristalina por meio de metodologia de Difração de Raios-X (DRX). Identificou-se também a necessidade de implementar medidas preventivas, limitando os efeitos nocivos na saúde dos trabalhadores.

Nota biográfica:

Maria Luísa Matos é Investigadora Auxiliar do LNEG, na Unidade de Ciência e Tecnologia Mineral, Laboratório de S. Mamede de Infesta. Licenciada em Engenharia de Minas pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) desde 1990, mestre em Engenharia do Ambiente pela mesma Instituição, em 1997, Doutorada em Segurança e Saúde Ocupacionais pela Universidade do Porto em 2015. Principiou a sua atividade na ex-DGGM, IGM, atual LNEG, em dezembro de 1989, na área da segurança, higiene ocupacional e acústica ambiente, bem como na consultoria externa através da implementação de metodologias a acreditar pelo IPAC e respetivo seguimento a nível de auditoria interna. Autora de cerca de 36 artigos científicos na área. Docente Convidada da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, nas disciplinas de Seminário de Segurança Ocupacional e Laboratórios de Segurança e Higiene Ocupacionais no Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais (MESHO).

Destinatários:

Investigadores, Técnicos e público em geral.

Data e hora:

13 de março de 2018, às 17h00.

Localização

Pesquisar nesta área