Hélder Perdigão Gonçalves : Custos comprometem meta de Edifícios Balanço Zero

A principal dificuldade estará nos custos associados para o sector da construção e equipamentos.


Perante a meta de 2020 para que todos os edifícios novos europeus sejam de balanço energético nulo, Hélder Perdigão Gonçalves, director do Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia (LNEG), sublinha, em entrevista ao AmbienteOnline, que a principal dificuldade estará nos custos associados para o sector da construção e equipamentos.


O especialista, que estará presente na conferência Edifícios Balanço Zero, organizada pelo grupo About Media, realça ainda que o grande desafio para o balanço energético no edificado das cidades está na reabilitação. «A taxa de novas construções é muito baixa», adianta, enquanto vinca a importância de medidas de eficiência energética em edifícios já existentes.

Hélder Perdigão Gonçalves estará presente como orador na conferência Edifícios Balanço Zero, evento organizado pelo grupo About Media e agendado para o próximo dia 22 de Novembro, em Lisboa.

A legislação europeia prevê que, a 31 de Dezembro de 2020, todos os novos edifícios apresentem um balanço energético quase nulo. Acredita que esta é uma meta realista?

Trata-se de uma Directiva Europeia e, como tal, estabelece orientações gerais. Posteriormente, os Estados-Membros têm de definir um conjunto de procedimentos específicos. Tecnicamente, esta meta é possível e o prazo é suficiente para fazer os estudos necessários e definir o que é preciso implementar. Contudo, em termos de projecto, existem implicações em termos práticos no sector da construção e equipamentos.

A que nível?

Um edifício de balanço energético quase nulo deverá ter uma fonte de produção de energia – no local ou imediações – que compense o seu consumo energético. Ou seja, implica a utilização de energias renováveis e um custo consequente. Tendo em conta este aumento de custos e a situação económica geral da Europa, percebe-se que o problema não é tanto o caminho técnico a seguir para o cumprimento das metas, mas a implicação destes custos. E a esse nível poderão existir problemas.

Estamos a falar de custos de que dimensão?

A Directiva estabelece um balanço energético quase nulo. Mas esse “quase” é bastante vago. Cabe aos Estados-membros definir qual será a dimensão desse balanço energético e só aí se poderá fazer uma avaliação dos custos associados. Cada Estado-membro deverá chegar a um equilíbrio razoável.

Na sua opinião, qual o valor de balanço energético que deveria ser definido para estes edifícios?

Para além do que é exigível hoje, acredito que parte da electricidade deve ser também de origem renovável. Mas é preciso perceber que um edifício residencial tem menores necessidades energéticas do que um edifício empresarial, por exemplo. Não se deve estabelecer um valor estanque obrigatório. Este “quase” balanço zero depende do tipo de edifícios, do clima e também dos custos associados.

Seriam necessários esquemas adicionais de incentivo ao balanço energético nulo nos edifícios, de forma a garantir que as metas sejam cumpridas?

Vai ser muito difícil que a União Europeia promova incentivos para tudo isto, especialmente na actual conjuntura. Inicialmente até poderá haver, para projectos de demonstração. Seria uma das possibilidades, mas não numa perspectiva continuada,

Mas é preciso estarmos cientes de que os grandes desafios estão relacionados com a edificação e não com estes novos Edifícios Balanço Zero, até porque a taxa de novas construções é muito baixa. E, no campo das reabilitações, podemos efectuar pequenas melhorias de eficiência energética. Aliás, estas medidas acabam por ser mais importantes para melhor a prestação energética do edifício do que implementar soluções de energia renovável em edifícios com fraca prestação de eficiência energética. O investimento em eficiência energética acaba por ter menores custos e apresentar melhores resultados.

 

Autor / Fonte: Marisa Figueiredo

In AmbienteOnline a 06-10-2011

 

 

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