O Retorno do Investimento em Conhecimento

Artigo de Opinião por Teresa Ponce de Leão, presidente do LNEG

O conhecimento é a base do desenvolvimento económico. Investir em saber com vista à transferência de conhecimento e inovação é fundamental. Mas, para que o retorno seja positivo, a investigação tem que ter uma base sustentável, isto é, toda a cadeia de conhecimento tem que ser montada de forma sólida desde os seus fundamentos, conhecimento mais básico, até à criação de valor acrescentado para a sociedade. 
Habituámo-nos a vulgarizar o termo SUSTENTABILIDADE e muitas vezes esquecemo-nos que esta palavra significa responsabilidade, responsabilidade social, responsabilidade ambiental e responsabilidade económica. É algo que deveria ser intrínseco aos nossos comportamentos. O investimento dos países e dos seus cidadãos em investigação não é excepção. Temos que investigar de forma responsável, sempre com objectivos concretos na obtenção de resultados – para o bem-estar social, com respeito pelo ambiente e com valor para a competitividade.
Os nossos cientistas encontram-se na vanguarda do conhecimento sobre novas tecnologias e na capacidade de optimização das já existentes, basta ver o nosso papel junto dos nossos pares europeus através da nossa presença muito activa em parcerias internacionais das quais é um bom exemplo a nossa presença na European Energy Research Alliance (EERA), aliança europeia, pilar do Plano Estratégico da Energia desenhada para combater a crise económica, através da luta contra a fragmentação da investigação a nível europeu, definindo estratégias coerentes e assim obter melhores e mais rápidos resultados. Portugal abraçou esta aliança desde o início e tenta alastrar o exemplo a nível nacional e colocar a ciência nacional ao serviço das empresas e da sociedade através de práticas de coerência e alinhamento de objectivos.
As crises afiguram-se como oportunidades e temos a obrigação de encontrar soluções que contribuam para ajudar a resolver a crise. Estamos no momento em que devemos, mais que nunca, aplicar o capital intelectual no desenvolvimento de tecnologias que pelo retorno que vão dar à economia viabilizam o seu investimento. Estamos perante um ciclo que tem que ser virtuoso. Mas em crise, nas crises há uma forma de encontrar soluções – imaginação, raciocínio, investigação – INOVAÇÃO. 
Mas, o financiamento coerente e orientado por estratégias claras e alinhadas nem sempre é colocado à disposição da comunidade científica ou das empresas que apostam nos seus gabinetes de ID. Temos assistido a um défice de sintonia entre os responsáveis pela Ciência e pela Economia. Urge uma estratégia muito clara e responsável dos nossos governantes e conseguiremos fazer mais com menos.
São! Os políticos são os primeiros responsáveis pela condução dos Estados. Os políticos sem apoio científico não conseguem tomar decisões devidamente fundamentadas. Os políticos têm que ser responsáveis por encontrar as melhores soluções recorrendo ao apoio técnico para sustentar as suas decisões. Eu até diria que somos todos políticos, o cidadão em Democracia também tem o poder dado pelo seu voto.
Os responsáveis, os políticos, têm obrigação por colocar as medidas no terreno, os cientistas, os investigadores, por serem capazes de demonstrar a viabilidade das soluções técnicas. Somos competentes. Trabalhemos em conjunto para uma sociedade melhor, mais equilibrada onde os portugueses se sintam realizados! 
Os portugueses no passado foram capazes de inovar e ser pioneiros no Mundo. Nessa altura aplicaram a sua capacidade de análise ao serviço dos objectivos. Preparamo-nos, plantamos pinhais, investigamos, ensinamos, reunimos marinheiros e partimos à descoberta de novos mundos.
Neste nosso tempo temos que ser criativos e utilizar os meios que temos disponíveis, informar e ser informados, num intervalo mínimo, para podermos reagir no tempo mínimo. Mas, tomar decisões sempre alicerçadas em dados credíveis de forma a quantificar os impactos, prevendo as consequências e monitorizando o cumprimentos de objectivos.
INOVAR é também fazer melhor. Com rigor, responsabilidade e coerência de políticas seremos capazes de atingir elevados retornos no Investimento em Conhecimento. Preparemo-nos e teremos sucesso!

In www.pontosdevista.com.pt a 17 de Outubro de 2011

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