Partilha de compromissos, acções e experiências

Artigo de Opinião por Teresa Ponce de Leão, Presidente do LNEG

Teresa Ponce de Leão

A economia mundial descarbonizada necessita de acções concertadas e baseadas no conhecimento. Este desafio é simultaneamente uma oportunidade para o desenvolvimento desde que as iniciativas, os mecanismos financeiros, as políticas direccionadas e/ou de intervenção estejam alinhadas e numa trajectória controlada e orientada para os objectivos a atingir, também estes rigorosamente identificados.

A Europa e os países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] começam a ter à sua disposição instrumentos integrados, desenvolvidos pela comunidade científica, quer na Comissão Europeia (Strategic Energie Technologies Plan - SET Plan) quer na Agência Internacional de Energia (Expert Group on Science for Energy).

Estes grupos de trabalho têm colaborado activamente na recolha e partilha de dados de desenvolvimento tecnológico, implantação de políticas e investimento RD&D [investigação&desenvolvimento], destinados a uma oferta comum e actualizada de informação técnico-económica, que permite apoiar as decisões de investimento e estimar o respectivo impacte. Estes estudos estão a ser desenvolvidos para todo o conjunto de soluções tecnológicas para os compromissos em termos de energia.

Identificar os produtos e as tecnologias mais promissores - com base em avaliação e monitorização dos respectivos impactes que permitam estabelecer critérios comuns -, desenvolver projectos harmonizados e integrados em áreas tecnológicas específicas e definir abordagens harmonizadas com base nestes esforços é obrigatório se quisermos reduzir a incerteza dos investimentos.

É fundamental atrair a atenção para as melhores práticas em políticas de RD&D, de tecnologia energética e inovação, criar mecanismos para que as empresas possam reportar gastos em RD&D, mantendo a sua competitividade e, ao mesmo tempo, criar canais de diálogo que permitam dar orientações aos governos relativamente a necessidades e prioridades quanto a gastos públicos. [É fundamental] explorar mecanismos de financiamento inovadores que reduzam o custo do financiamento.

Os governos através da sua capacidade regulatória têm um papel crucial na inovação tecnológica. As tecnologias - redes de energia, fontes de energia, ICT - resultam do trabalho de investigação, que só é possível se financiado pelos governos, por fundos públicos ou através de contratos ou incentivos governamentais. Os investimentos públicos são fundamentais para formar o capital humano e construir as infra-estruturas adequadas para o desenvolvimento das tecnologias em larga escala.

Os governos reconheceram que as novas tecnologias energéticas são um motor para a recuperação económica. Mas, para se alcançar os objectivos, é preciso decidir com base na informação que só a comunidade científica é capaz de fornecer. Precisamos de aumentar os orçamentos de longo prazo para a investigação. Sem dados científicos, não é possível construir políticas baseadas no rigor.

A ciência e o conhecimento científico são o apoio fundamental para a redução do risco das decisões. A partilha de compromissos, acções e experiências permitem alavancar o conhecimento e orientar a decisão para melhores resultados.

 

In Água&Ambiente - Principal a 5 de Janeiro de 2012

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