Portugal tem metas mais ambiciosas do que a Europa

Entrevista | Teresa Ponce de Leão, Presidente do LNEG

A responsável pelo LNEG considera que o nosso país está no caminho certo.

Portugal está na rota certa em relação à eficiência energética?

Teresa Ponce de Leão, Presidente do LNEGPortugal tem como prioridade apostar na eficiência energética e cumprir a meta de redução em 20% dos consumos de energia final segundo o Plano Nacional de Acção de Eficiência Energética (PNAEE). O PNAEE está a ser revisto e vai ser reforçado. Há novas medidas, mais ambiciosas, onde o Estado aparece à cabeça, dando o exemplo. É o caso da intenção da redução dos consumos na administração pública em 30%, como consta no ECO.AP. Este plano inclui metas mais exigentes do que as da Comunidade Europeia, como a redução de 9,8% do consumo de energia final até 2015, e prevê uma intervenção de eficiência energética em todos os edifícios públicos até 2013. Também antecipa em um ano a meta comunitária, aplicável aos sectores dos transportes, residencial e serviços, indústria e Estado, e estabelece medidas ao nível dos comportamentos, da fiscalidade, dos incentivos e dos financiamentos que visam acelerar o processo.

Como nos comparamos com outros países europeus?

Portugal está em linha com a Europa e em total compromisso com as apostas europeias. Há uma panóplia de oportunidades na eficiência energética e na produção distribuída, considerada como uma nova revolução industrial. De facto este sector oferece um conjunto de oportunidades quer para a investigação e desenvolvimento, quer para a inovação. Portugal possui bons projectos de investigação, demonstração e industrialização que nos colocam a par do que de melhor se faz na Europa.

Os investimentos em I&D feitos em Portugal são suficientes?

A investigação é fundamental para o crescimento de qualquer país, e Portugal tem uma actividade importante na eficiência energética. A título de exemplo, o LNEG, membro e co-responsável pelos destinos da European Energy Research Alliance, é parceiro de um importante programa para a investigação na Europa, destinado ao desenvolvimento das Smart Cities, onde a eficiência energética tem uma importância relevante. Apesar do difícil contexto em que nos inserimos precisamos fazer um esforço para articular de forma coerente todos os instrumentos que temos à nossa disposição. As instituições de investigação têm a obrigação de, em conjunto com as empresas, conseguir demonstrar o potencial de criação de riqueza a partir de novas soluções criadas para responder às necessidades da sociedade.

 

Fonte: Diário Económico - Dia Mundial da Energia a 29 de maio de 2012

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