Transferir conhecimento para uma sociedade desenvolvida

Artigo | Teresa Ponce de Leão, Presidente do LNEG

O LNEG é um Laboratório do Estado que tem como Missão apoiar o Estado português e que "faz, deve fazer, ciência para a economia embora dificilmente para resultados no joelho, no imediato, mas sim para um futuro sustentado", afirma Teresa Ponce Leão, Presidente do Conselho Diretivo do Laboratório Nacional de Energia e Geologia.

A ciência aqui produzida está ao serviço da sustentabilidade, garantindo que a cadeia de valores da investigação do LNEG cumpre os seus objetivos. "Pretendemos, nos resultados da investigação, apoiar as políticas públicas, a economia e o sector empresarial. Fornecemos conhecimento para reduzir a incerteza do investimento dos empresários. Cabe-me referir que devemos quebrar o ciclo iniciado nas Descobertas de Quinhentos, o empresário deve investir o que é seu se confia na sua capacidade, no seu mérito e utilizar a ciência, a investigação pagando o serviço que lhe é fornecido". Segundo a nossa entrevistada, o LNEG produz investigação fundamental bastante direcionada para a transferência de conhecimento e, neste momento, o Laboratório está a apostar fortemente nos diversos Programas Quadro para que, "juntamente com as empresas, possamos transferir o conhecimento que possuímos", avança.

LNEG na Energia

O LNEG é o Laboratório que garante que todas as diretivas comunitárias são cumpridas, dominando e transferindo todo o conhecimento acerca deste assunto. "Depois de a Europa ter definido metas, como é o caso de Quioto, Portugal posicionou-se na linha da frente naquilo que é a concretização dessas mesmas metas. Agora, falta apenas a UE definir diplomas legais e diretrizes para a transição dessas políticas para os países membros. Portugal é uma peça importante na transposição da diretiva da certificação energética e, neste momento, estamos a dar apoio na nova diretiva «European Performance on Building Directives»". O LNEG esteve também presente na transposição da diretiva de certificação dos Biocombustíveis e é, precisamente neste âmbito, que Portugal se encontra na vanguarda: "Portugal é pioneiro na aplicação desta diretiva e, por sermos pioneiros, estamos atualmente a participar numa ação da Comissão Europeia para as energias renováveis e estamos já a traçar um caminho para marcarmos presença naquilo que será a certificação das energias renováveis". Teresa Ponce Leão assume que, ao nível da Eficiência Energética, a Europa está a braços com um problema complexo: "A avaliação do impacto das energias renováveis não foi feita de forma controlada. Se tivesse existido uma verdadeira avaliação, o investimento poderia não ter sido tão avultado. No entanto, e para tentar resolver esta situação, surgiu agora um sistema na UE que visa avaliar a análise do ciclo de vida das diferentes tecnologias, incluindo investimentos e resultados. Cabe aqui referir que Portugal nos últimos anos foi um claro exemplo do que acabo de referir, urge dar a volta".

O LNEG tem, obrigatoriamente, que possuir o conhecimento e as ferramentas necessárias para dotar o país da capacidade de avaliaras diferentes tecnologias, sendo, no fundo, um conselheiro do Estado."Temos vindo a nos focar nesta questão e hoje estamos em condições de ser mais intervenientes e ter uma resposta mais assertiva face às questões que nos possam ser colocadas, tendo como base o conhecimento adquirido e a investigação que possa ser feita", avança.

O desenvolvimento económico que tanto buscamos não existirá sem energia e a ideia é encontrar soluções, nomeadamente energia mais limpa e reduções de CO2, com custos capazes de ser absorvidos pelo mercado. Estes resultados conseguem-se com investimento em tecnologias, com aposta em investigação e com formas eficientes de garantir o futuro "garantir uma economia forte, um ambiente saudável e uma sociedade equilibrada. Enfim, temos que investir na sustentabilidade", admite Teresa Ponce Leão.

O LNEG tem marcado posição nas seguintes frentes:

Energia Eólica, Energia Solar, Solar Térmico e Solar Concentrado, Área da Bioenergia, Eficiência Energética dos Edifícios, Geotermia, Energia das Ondas e Baterias e Hidrogénio.
Na grande maioria delas, o laboratório assume um papel de destaque e é já uma presença incontornável nos projetos europeus.

In País Positivo a 23 de agosto de 2012

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