Dois dias para debater os NZEB

O conceito de "near zero energy buildings" - NZEB - é um desafio para os profissionais da construção, engenharia e arquitectura

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL) em conjunto com o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), organizaram a 25 e 26 de Junho, uma conferência, na qual reuniram inúmeros especialistas das áreas da energia, engenharia, arquitectura, entre outros, para debater aquele que se pretende ser o futuro dos edifícios: os  "near zero energy buildings" - NZEB. Políticas e estratégias, conceitos subjacentes e metodologias, aplicações e soluções para estes edifícios foram os pontos de partida para as várias sessões.

Esta foi a primeira conferência dedicada ao tema em Portugal, organizada pelos três peritos nacionais que fazem parte da equipa da Task 40 do Solar Heating and Cooling Programme da Agência Internacional de Energia - Hélder Gonçalves, Daniel Aelenei e Laura Aelenei .

Hélder Gonçalves (LNEG), um dos organizadores do encontro definiu este como um tema de grande discussão e muito actual. O desafio dos NZEB começa logo no seu conceito, que não é ainda unânime e está alicerçado numa definição ambígua dada pela Directiva para o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD).

Foram vários os especialistas presentes que abordaram as dúvidas ainda existentes. "A definição da Directiva obriga a necessidades de energia quase nulas, mas não define o quase, o que deixa uma margem de manobra grande para os Estados-Membros", afirmou Hélder Gonçalves. A lei de Bruxelas exige também que a pouca energia de que estes edifícios necessitam seja produzida no local ou nas proximidades, deixando também este último conceito vago, assim como os parâmetros que entram na sua contabilização. "A definição é tão vaga que pode ser interpretada de todas as formas", disse Eduardo Maldonado.

Já Eduardo de Oliveira Fernandes contestou a designação de NZEB como "errónea", uma vez que, para este professor não existem edifícios zero energia - já que a energia mesmo que de origem renovável não deixa de ser energia - e acusa o conceito de "favorecer o consumo pois valoriza a produção da parte de quem consome". Sobre isso, Hélder Gonçalves lembrou que não faz sentido falar de NZEB em casos de edifícios altamente consumidores e que, para alcançar esses edifícios, se deve primeiro actuar do lado da eficiência energética e só depois introduzir as energias renováveis.

Carlos Pina dos Santos (LNEC), Miguel Nery (Ordem dos Arquitectos), Carlos Lisboa (EFRIARC) e António Coutinho (EDP) foram os oradores convidados para apresentar alguns desafios, oportunidades e obstáculos dos NZEB: reabilitação, arquitectura, barreiras técnicas nos edifícios de serviços e o papel das empresas de serviços energéticos, respectivamente.

Avanços científicos e tecnologia e inovação foram as temáticas do segundo dia da conferência, no qual participaram também especialistas internacionais - Joseph Ayoub (Concordia Universities, Canadá) e Eike Mussal (University of Wupppertal, Alemanha).

António Joyce, também do LNEG, tratou o papel das renováveis nestes novos edifícios e apontou soluções a ter em consideração, algumas mais maduras, como o solar térmico, outras promissoras, como a trigeração solar. Também do LNEG, foi a vez de Laura Aelenei apresentar mais detalhadamente o projecto AIE Task 40, em particular as ferramentas de concepção para os NZEB e exemplos de casos de estudo em todo o mundo. Na opinião da especialista, um dos maiores desafios na concretização destes novos edifícios passa pela integração arquitectónica.

O encontro contou com a presença do ex director-geral de Energia, Escada da Costa, cujo discurso se centrou na actual política energética do país. "Os edifícios e a indústria são tendencialmente prioritários nas políticas de eficiência energética", avançou o responsável. Sem deixar de colocar a eficiência energética como a actuação prioritária do Executivo, Escada da Costa lançou o desafio de fazer da marca "energias renováveis" uma saída para a internacionalização.

A conferência serviu ainda para a apresentação de trabalhos académicos dentro do assunto, realizados por alunos de várias universidades do país.

In CLIMATIZAÇÃO a 5 de setembro de 2012

 

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