A eficiência nas cidades como uma oportunidade para todos

Artigo de Opinião | Teresa Ponce de Leão

É importante ter uma comunicação social preocupada em alertar os consumidores de energia elétrica para um fenómeno emergente que vejo como positivo. Caminhamos para um futuro em que as pessoas serão em simultâneo consumidoras e produtoras. A produção distribuída, de preferência local, isto é, uma produção para cada local de consumo, será uma realidade, mas para isso é preciso ajudar a construir a sensibilidade dos consumidores, para que as pessoas consigam perceber que este instrumento poderá ser essencial para construir um país que responde à sua responsabilidade na sustentabilidade mas também em benefício próprio.

Ligado a isto, penso que as empresas de energia elétrica também não têm ajudado muito, porque cria-se uma grande confusão quanto à maneira como a liberalização das tarifas vai beneficiar ou não os consumidores. É importante que os consumidores consigam perceber o que ganham com a liberalização e que eventualmente terão um instrumento ao seu alcance que lhes vai permitir melhorar a fatura no futuro. É preciso ajudar os consumidores a fazerem contas para poderem fazer opções conscientes. Todos ganhamos e ganha o país em geral.

Este diálogo tem sido confuso e pouco percetível. As pessoas não percebem o que é que se está a discutir e se nós, cidadãos, autarcas, governantes queremos avançar para verdadeiras cidades inteligentes, temos de garantir que todas as classes da população o percebem. Se não percebemos ao nosso nível, ao nível das pessoas que trabalham na energia, e é fácil encontrarmos pessoas de outros setores igualmente instruídas, como juristas, professores universitários, médicos, etc. com o mesmo nível de conhecimento, mas que têm dificuldade em perceber a mensagem, o que se passará quando baixamos a outro nível de formação das pessoas? É um fator crucial informar de forma muito clara e simples e construir uma dinâmica de informação. Os agentes de comunicação social poderão ser uma ajuda fundamental.

Outra temática a abordar de forma sistemática é sensibilizar as pessoas não só para os consumos de energia, mas também para o consumo de energia por via indireta, por exemplo, utilizar a água de forma mais eficiente, aproveitando a água das chuvas ou pensar em novas formas de reutilizar os materiais obsoletos ou até mesmo separar o lixo de forma eficiente. Trata-se de uma matéria cuja discussão tem que entrar nas nossas casas para captar as pessoas e poder vir a ser aplicada naturalmente, isto é, penetrar na nossa consciência coletiva. Estamos a falar de eficiência ao nível dos usos no nosso edificado e não estamos a falar de construções novas, estamos a falar de utilizar melhor o que já temos. Temos de apelar e chamar a atenção de todos de modo a garantir a interiorização destas ideias a toda a população em conjunto.

Outra matéria para reflexão o divulgação pela comunicação social é relativa à mobilidade, mas essa é mais fácil, porque tem sido mais discutida e as pessoas já começam a estar mais alertadas para a possibilidade de haver outras formas de se deslocarem, como deslocarem-se de bicicleta, por exemplo. É já um hábito em muitos dos nosso locais de trabalho e faz bem à saúde... Obviamente não podemos esquecer que aqui os preços dos combustíveis dão alguma ajuda.

Resumindo, é essencial contribuirmos para difundirmos uma perceção do que representa um consumo e uso mais consciente dos nossos recursos.

Teresa Ponce de Leão, presidente do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG)

Fonte: www.energiasrenovaveis.com

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