Portugal atento à eficiência energética

Mais de 30% da energia consumida no país é nos edifícios e é aqui que deve assentar a estratégia do Governo.

"A eficiência energética é, claramente, a solução para mitigar os impactos dos custos crescentes com a energia". A afirmação é de Filipe Gonçalves, presidente da Agência para a Energia (ADENE), que admite que, "apesar dos bons resultados que o Estado, as empresas e as famílias têm vindo a dar, há ainda muito por fazer, sobretudo porque devemos antecipar o futuro, sob pena de desperdiçarmos recursos energéticos e colocarmos em causa a nossa sustentabilidade ambiental e competitividade da nossa economia".

Filipe Gonçalves informa que a Adene trabalha em cinco grandes áreas (Indústria, Edifícios, Renováveis, Transportes e Comportamentos), e assume que "existe uma área em que é eminente agir, quer a nível mundial quer nacional: o parque edificado". O responsável revela que "mais de 30% da energia consumida em Portugal é dos edifícios, e numa altura em que se discute a reabilitação de edifícios, esta deve também incluir a reabilitação energética tal como preconizado pela própria Agencia Internacional de Energia, sob risco de fecharmos a porta a que esta seja feita nos próximos 30 a 40 anos". 

No que concerne à reabilitação de edifícios, esses desafios "passam, acima de tudo, por medidas simples e comportamentais como, a adopção de equipamentos mais eficientes, de iluminação eficiente, de janelas e isolamento eficientes", diz. 

De acordo com Teresa Ponce Leão, presidente do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), "Portugal tem dado passos importantes com vista a aumentar a eficiência energética mas ainda falta uma abordagem sistemática sectorial". Afirma que "no passado ainda recente, deu-se forte impulso à produção mas descurou-se, em parte a eficiência, a diminuição do consumo", sobretudo no sector dos transportes. 

Teresa Ponce Leão frisa que "Portugal liderou a certificação energética nos edifícios novos numa conjuntura em que a indústria de construção estava emergente". Mas refere que o sector dos transportes "não teve a mesma abordagem sistemática havendo ainda necessidade de actuar ao nível legal e normativo para o sector dos transportes em particular para o longo curso". Defende ainda que "será necessário acelerar medidas para o transporte eléctrico nomeadamente para a mobilidade urbana numa óptica das cidades do futuro". 

Mas quando se fala de eficiência energética, não se pode deixar de falar de cogeração. Pelo menos de acordo com Miguel Gil Mata, presidente da comissão executiva da Associação Portuguesa para a Eficiência Energética e Promoção da Cogeração (Cogen Portugal), que ressalva o facto de nos últimos anos se ter registado "um aumento da cogeração em Portugal, verificando-se em 2012 uma potência instalada de cerca de 1.290 MWe, representando cerca de 14% da electricidade consumida no país".

O responsável frisa o facto da nova Directiva da Eficiência Energética consagrar à cogeração "um papel primordial na geração eléctrica, relegando a geração dedicada para uma espécie de ‘regime especial'". Um novo paradigma que diz ser "óbvio", mas pecar por "tardio". Porém, Miguel Gil Mata critica o novo modelo tarifário para a cogeração, definido no novo pacote legislativo que, afirma, "condiciona de forma muito vincada a continuidade da exploração das centrais existentes e o desenvolvimento de novos projectos de cogeração no país". O presidente da comissão executiva da Cogen diz mesmo que, neste momento, "assistimos ao encerramento de inúmeras centrais de cogeração, tendência que se deverá agravar no futuro". É que, explica, "à medida que vão atingindo os prazos previstos no regime transitório e entrando no novo enquadramento tarifário, as centrais de cogeração vão encerrando", afirma, esclarecendo que "o novo regime não permite, na generalidade dos casos, equilibrar a exploração das centrais". Para Miguel Gil Mata este novo pacote legislativo "é totalmente incoerente com uma política de Eficiência Energética e está claramente em contra-ciclo com a tendência europeia".

Fonte: economico.sapo.pt | 2 de junho de 2013

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