Em entrevista ao Jornal de Angola, o Presidente da Impulso fala sobre o Plano Nacional Geológico de Angola (Planageo)

O LNEG participa no consórcio luso-espanhol, dirigido pela empresa espanhola Impulso, em que participa também o IGME - Instituto Geológico y Minero de España

Um dos projectos mais visíveis é o Plano Nacional Geológico de Angola (Planageo) que vai permitir ao país, dentro de cinco anos, conhecer com detalhe os recursos mineiros que tem no seu subsolo. Em entrevista ao Jornal de Angola, Avelino Suárez Álvarez fala da nova missão, facilitar as relações comerciais, económicas, culturais e científicas entre o Principado das Astúrias e Angola.

JA - O que Angola representa para a Impulso?

ASA - Estamos em dez países, contando com a Espanha, e Angola representa cerca de 20 por cento da nossa cifra de negócios. Ao longo destes sete anos não paramos de crescer. Podemos fazer muito mais. Somos especialistas em engenharia, energia e águas, arquitectura, consultoria, aquicultura, geologia e ­minas, edificação e fiscalização de obras. Participamos activamente na elaboração do plano de industrialização de Angola, para o Ministério da Indústria, e estamos a trabalhar num dos projectos mais importantes do mundo em matéria de investigação geológica, o Plano Nacional Geológico de Angola (PLANAGEO), com os seus parceiros no projecto, o Laboratório Nacional de Energia e Geologia de Portugal (LNEG) e o Instituto Geológico Mineiro de Espanha (IGME), duas das mais antigas instituições da Europa na área.

JA - Como vê o futuro de Angola e dos negócios?

ASA - Quando um país é patriota, tem uma classe dirigente preparada, um presidente que é um líder por excelência da África Subsaariana e tem um povo pacífico, o seu futuro é enorme. Não digo apenas pela sua riqueza económica, mas pela riqueza humana, pelo projecto de desenvolvimento que está a conhecer depois do processo de pacificação. Nas Astúrias tenho a televisão angolana, leio todos os dias o Jornal de Angola e há sempre notícias do Presidente a receber entidades, a dirigir reuniões, a inaugurar projectos importantes. Vocês angolanos podem não se aperceber disso mas é um homem inteligente, trabalhador e comprometido com o bem-estar do seu povo. Sempre que chego a Angola depois de um mês fora, há um novo edifício, mais hotéis, restaurantes, vejo uma juventude com uma atitude muito proactiva. Isto é formidável.

JA - Porquê a aposta no mercado angolano?

ASA - Angola está num processo de diversificação económica e é uma oportunidade de fazermos mais coisas para esta nação. A Impulso tem muito para trazer a Angola. Os angolanos têm três características importantes que são comuns nas Astúrias, são um povo orgulhoso da sua condição, têm muita dignidade, há poucos imigrantes angolanos pelo mundo, e é um povo muito patriota. Depois dos acontecimentos que viveram, continuam a adorar a sua terra, seja partido no poder ou da oposição. O processo de paz liderado por um líder tão importante, como o Presidente Dos Santos, trouxe frutos riquíssimos para o desenvolvimento ­social, cultural e económico do país.

JA - Que imagem e opinião tem dos angolanos?

ASA - Uma coisa que muito me impressiona é a preparação da classe dirigente de Angola. A minha estada aqui coincidiu com duas campanhas eleitorais e estive muito atento aos discursos dos líderes políticos e do próprio Presidente da República. E  surpreendeu-me muito o comprometimento da classe dirigente liderada pelo Presidente José Eduardo dos Santos no desenvolvimento do país.

JA - Quais os principais planos para este ano?

ASA - Desenvolver o PLANAGEO, desenvolver a aquicultura, que é também uma especialidade da Impulso. Com a aquicultura chegam as proteínas necessárias para a alimentação das pessoas a um preço acessível. Também estamos em projectos de energia e águas. Estamos a trabalhar em projectos de abastecimento de água em várias zonas do país e também fazemos fiscalização nesta área. A Impulso, com os seus importantes sócios espanhóis e portugueses, tem 37,5 por cento da investigação geológica de Angola. É uma superfície do tamanho de Espanha.

JA - O que mais valoriza no mundo dos negócios?

ASA - A persistência. Quem perde não fracassa, porque sempre perdemos um pouco todos os dias. Nem todas as coisas saem bem, algumas saem mal algum dia. Por isso, não se deve interpretar isso como um fracasso. Só fracassa quem desiste, quem não tenta de novo. O que resiste ganha. Há vezes em que as coisas não saem bem, mas é preciso voltar a tentar.

 

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