Francisco Gírio (LNEG): Portugal tem matéria-prima para biocombustíveis avançados

Quercus organizou workshop sobre “biocombustíveis avançados para descarbonizar os transportes em Portugal”

O investigador principal do Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia (LNEG), Francisco Gírio, que é também Coordenador da Unidade de Bioenergia, defende que é “não por falta de matéria-prima que Portugal não entrará no comboio dos biocombustíveis avançados”.

“Se falarmos em resíduos agrícolas, como palhas de cereais, podemos ter alguma dificuldade. De trigo não temos muitos, mas já de milho temos matéria-prima suficiente. Também temos bastantes resíduos florestais e outro tipo de matérias-primas que estão a ser usadas, como resíduos sólidos municipais”, exemplificou à margem do workshop sobre biocombustíveis organizado pela Quercus, que decorreu esta manhã, no Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL).

Os biocombustíveis avançados já são uma realidade em vários países da Europa onde existem unidades industriais em operação ou planeadas para produzir substitutos da gasolina ou diesel, a partir de resíduos agrícolas, como palhas de cereais, mas também de resíduos de aterros, resíduos sólidos municipais e outros materiais que podem ser utilizados para produção de biocombustíveis avançados.

No caso português é preciso empreendedores e industriais interessados em apostar nos biocombustíveis avançados, sublinha. “Conheço dois casos deses. Um grupo está interessado em avançar com uma unidade de bioetanol utilizando os resíduos das suas fábricas de pasta de papel, mas também resíduos associados à floresta. Há também um caso de uma associação que quer transformar resíduos florestais e de matos da região em óleos que podem ser convertidos em bio-combustível. Acredito que no curto prazo possam surgir mais projectos industriais em Portugal que possam constituir o potencial dos biocombustíveis avançados", revela.

Francisco Gírio lembra que está a ser feito o mapeamento do potencial de biocombustíveis em Portugal que permitirá a construção de unidades de biocombustíveis avançados, que nunca serão muito grandes dada a dimensão do país.

“Entre 0,5 a 1,5 por cento do teor energético de substituição de biocombustíveis poderia vir de biocombustíveis avançados se houvesse uma aposta clara e uma estratégia clara em Portugal neste nível”, calcula.

Francisco Gírio lembra que é importante que mais empresários e empresas portuguesas apostem em tecnologia como acontece nos outros países da União Europeia atendendo à meta nacional de 10 por cento de incorporação de energias renováveis nos transportes até 2020 (87 por cento a partir de biocombustíveis substitutos de gasóleo, quatro por cento a partir de biocombustíveis substitutos de gasolina, nove por cento pela mobilidade elétrica) e tendo em conta que vai haver um tecto para a utilização dos biocombustíveis de primeira geração que trazem mais desvantagens ambientais.

“Infelizmente continua a haver pouco interesse pelas soluções inovadoras do lado dos empresários. Reparem: vamos ter uma meta obrigatória de 2,5 por cento de adição de biocombustíveis e substitutos de gasolina em Janeiro de 2015 e não temos uma única unidade, nem piloto, de demonstração ou comercial, de bioetanol em Portugal”, salientou no final do workshop.

 


Fonte: www.jornalarquitecturas.com

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