Dia Mundial do Solo celebrou-se no dia 5 de dezembro de 2014

A Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologias Ambientais, o Laboratório Nacional de Energia e Geologia e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil assinalaram a data, com palestras no Auditório do LNEC, em Lisboa sobre a importância do solo.

Segundo Maria Teresa Ponce de Leão, Presidente do LNEG, é necessário ter a consciência de que os solos são essenciais à vida e que a sua gestão, não só deve ser feita pela sustentabilidade, como estar assente em três pilares: ambiente, economia e sociedade. "No LNEG, o nosso trabalho é e tem sido no sentido de aplicar conhecimento na resposta ao impacto, para que os decisores políticos possam garantir que o melhor uso é feito deste recurso finito", explicou. Segundo a presidente do LNEG, os microrganismos dos solos são fundamentais para produzir, entre outros, medicamentos e lamas de solo para cosmética. Além de fonte de matérias-primas, o solo permite a agricultura e fabrico de biomassa, é uma base para vida de biodiversidade e preserva, tanto os reservatórios de carbono, como o património geológico.

Celeste Jorge, investigadora do LNEC alertou ainda para o facto dos solos serem diferentes da água e do ar, na medida em que está sujeito a direitos de propriedade. A investigadora referiu ainda que a contaminação dos solos pode influenciar factores como a água, quer pela existência de água subterrânea, quer pelos próprios rios, como a biodiversidade, acarretando riscos para a saúde humana. O solo, além de ter uma degradação rápida, tem também uma regeneração lenta, é, portanto, pouco renovável e limitado e, uma vez degradado, tem menor capacidade de desempenhar funções. No que diz respeito à contaminação, a elevada capacidade de armazenamento dos solos manifesta uma tendência de acumulação, sendo que estes podem ser libertados na água, na flora e na fauna. "Não se pode suprimir os contaminantes. A solução passa, sim, por adaptar boas práticas, reduzir a sua utilização e tratar os efluentes", referiu a investigadora. Segundo dados da Agência Europeia do Ambiente, em 2007 foram contabilizados três milhões de locais potencialmente contaminados. Estima-se também que 40% das doenças tenham origem na poluição, sendo Chernobyl um exemplo recorrente, com a contaminação dos solos a gerar doenças degenerativas em faixas etárias mais baixas.

Já Carlos Pina, Presidente do LNEC, realçou a importância de associar uma área como a engenharia civil a esta iniciativa. "As obras estão sempre ligadas ao solo e, além de consciencializar a sociedade, também é preciso consciencializar os engenheiros civis, para que tenham em conta a preservação dos solos em todas as intervenções já que estas devem ser pautadas pela eficiência e cuidados a ter para evitar a degradação do meio ambiente em fases de construção, exploração e de abandono de infra-estruturas [mais comum na exploração de matérias-primas]".

Ainda assim, Carlos Pina considera que um longo caminho já foi feito, os investigadores têm aumentado as suas preocupações e o tipo de tratamento dos solos foi actualizado. "Agora há que continuar a progredir".

Sensibilizar e envolver as comunidades e as escolas

"Não nos esqueçamos de que é no solo que temos os pés", referiu o Carlos Iglézias, presidente da APEMETA, que ressalvou também que este muitas vezes é degradado com actividades como a agricultura, as energias eólicas e ainda a exploração de matérias-primas. As Nações Unidas declararam 2015 como o ano internacional do solo, iniciativa à qual Portugal também se associa. Neste sentido, a APEMETA irá promover, no início de 2015, altura em que também serão adiantados mais detalhes, um concurso aberto às escolas, a diferentes níveis de escolaridade, desafiando os alunos, professores e directores a sentir a questão da degradação dos solos e a promover o seu uso cuidado, iniciativa que Carlos Iglésias espera que seja a primeira de muitas.


Fonte: www.ambientemagazine.com | 5 de dezembro de 2014

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