Teresa Ponce de Leão, Presidente do Laboratório Nacional de Energia e Geologia, I.P, em entrevista sobre a temática da «Liderança Feminina».

Teresa Ponce de Leão assume que a sua carreira tem sido pautada pela serenidade e muita determinação nos caminhos traçados para alcançar os objetivos e assegura que nunca imaginou ter a “honra” de liderar uma entidade tão relevante como o LNEG.

Teresa Ponce de Leão, Presidente do Laboratório Nacional de Energia e Geologia

Reconhecido e conhecido em todos os quadrantes, o LNEG - Laboratório Nacional de Energia e Geologia, apresenta um cariz essencial em Portugal no seu âmbito de atuação. Desta forma, quais são atualmente as principais prioridades e áreas de atuação da instituição?

Somos um Laboratório do Estado com a missão de impulsionar e realizar ações de investigação, demonstração e transferência de conhecimento, para as empresas e o apoio às políticas públicas, nos domínios da energia e da geologia. Executamos a missão apostando numa investigação sustentável e estruturada em três linhas de ação:

  • projetos de I&D financiados, integrados nos objetivos dos Programas Quadro Europeu e Nacional;
  • prestação de serviços, por contrato, com o setor privado e com entidades do setor público;
  • representação do Estado Português a nível internacional.

O LNEG tem como visão ser reconhecido como uma instituição de referência internacional pela geração de conhecimento e valorização do território tendo como orientação estratégica contribuir para o aumento da atratividade económica e da economia verde através da exploração dos recursos endógenos, energéticos e geológicos.

No domínio da Energia e Geologia, de que forma tem o LNEG vindo a perpetuar «ciência», com vista à aplicação em soluções avançadas que permitam promover e fomentar a economia lusa? Quais as principais dificuldades que ainda identifica?

Apostamos firme na focalização, concentrando as nossas competências em torno das prioridades do país e da Europa e na internacionalização. Na vertente focalização, fomos a instituição que maior volume de financiamento recebeu do 7º Programa Quadro da CE e ainda a que mais projetos liderou em energia. Pelo lado da geologia, somos respeitados pela posição consolidada de Serviço Geológico, responsáveis pelo conhecimento geológico do território, executando projetos e aproveitando sinergias em parcerias com as universidades. No aspeto internacionalização também apresentamos indicadores relevantes. Somos membros do ExCO da EERA – European Energy Research Alliance, após um processo competitivo e atualmente ocupamos a sua Vice-Presidência por eleição. Somos ainda membros do EGS–EuroGeoSurveys e colideramos um importante projeto em Angola que visa a cartografia geológica do território deste país. 

Qual a importância, na orgânica do LNEG, das parcerias assumidas em Investigação e Desenvolvimento (I&D) com universidades e empresas? Como se processa esse intercambio e que mais-valias são retiradas do mesmo?

Fomentar parcerias entre vários intervenientes na economia é muito importante, só o trabalho em rede permite transferir conhecimento para a sociedade e ter um papel dinâmico e inovador junto das universidades. Estas ligações interinstitucionais permitem explorar as mais valias dos parceiros aa cadeia do conhecimento, desde a ciência básica à inovação. Permitem ainda perceber necessidades de formação e colaborar na definição dos conteúdos de formação, ajudando a aproximar a universidade das competências necessárias ao tecido empresarial.

Infelizmente ainda vivemos um certo estigma relativamente à liderança feminina e à posição das mesmas em cargos de chefia. Sente que hoje é mais «fácil» para uma Mulher liderar um qualquer projeto? A sociedade já está preparada para isso?

Penso que a sociedade esta melhor preparada para a saudável competição entre homens e mulheres e que o equilíbrio nos lugares de chefia está no bom caminho.

Qual é o balanço que faz de uma vida profissional tão vasta e bem sucedida? No início da sua vida profissional esperava alcançar o que tem hoje?

Bem sucedida, são palavras suas eu diria antes uma vida pautada pela serenidade e muita determinação nos caminhos traçados para alcançar os objetivos. Posso adiantar que nunca imaginei ter a honra de liderar uma instituição tão emblemática como o LNEG.

Ser mulher, em algum momento da sua carreira, foi um impeditivo ou colocou algum tipo de entrave à realização de um objetivo?

Nunca, talvez por sempre ter vivido em ambiente predominantemente masculino.

Na sua opinião e de uma forma sintética, como se pode resumir uma «Liderança no Feminino»?

Uma liderança serena.

Que balanço perpetua da atuação do LNEG em 2014 e que expectativas para 2015?

Estamos no pelotão da frente do nosso setor pela aposta na colaboração em rede que permitiu aos seus colaboradores, posições de reconhecimento com indicadores objetivos dos observatórios de Ciência e Tecnologia. Temos que consolidar esta posição.
 


Fonte: www.pontosdevista.pt | 17 de dezembro de 2014

Pesquisar nesta área