O VE traz Flexibilidade aos Sistemas de Energia

Artigo de Teresa Ponce de Leão, Presidente do LNEG

O LNEG tem trabalhado na investigação sobre novos materiais com as funcionalidades necessárias e menores custos para as baterias e está neste momento em processo de patenteamento de um novo produto com vista a acelerar a curva de aprendizagem. Tem ainda apostado no desenvolvimento de uma metodologia de monitorização e otimização dos ciclos de carga e descarga tendo desenvolvido um demonstrador.

O armazenamento de energia elétrica é uma das componentes para a sustentabilidade dos sistemas de energia. Mitiga a intermitência da generalidade das fontes renováveis pois o seu grande problema tem sido o armazenamento da energia que produzem. No entanto, devemos encarar o armazenamento sem amarras ao sistema atual e explorar as novas potencialidades que surgem, por exemplo, de uma combinação da gestão da procura em função da oferta disponível.

Os veículos elétricos são um exemplo, por excelência, de como as tecnologias de armazenamento podem revolucionar os sistemas dos transportes para modelos mais sustentáveis. São ainda exemplo da capacidade de gerir a oferta pela procura, principalmente porque estamos na era em que equipamentos eletrónicos que se tornaram ubíquos na sociedade moderna e nos permitem tomar decisões de gestão das nossas próprias necessidades de energia.

A tecnologia dominante são as baterias ião-lítio capazes de abastecer todos os equipamentos eletrónicos portáteis assim como quase todos os VE. Mas, basta-nos pesquisar um pouco sobre o estado da arte destes equipamentos para percebermos que ainda há problemas com o peso e a fadiga das baterias sujeitas aos diferentes ciclos de carga/descarga altamente limitativo da autonomia destes veículos.

Recentemente têm surgido novas soluções que poderão ser um acelerador de todo este movimento. É o caso dos supercondensadores, que usam um mecanismo diferente para o armazenamento. A energia é armazenada por um fenómeno electroestático, na superfície do material, e não envolve reações químicas. Isto viabiliza as cargas rápidas, com densidade de potência muito elevada e sem apresentar fadiga ao longo do tempo, mesmo perante milhões de ciclos de carga/ descarga. Como desvantagens, têm uma baixa densidade de capacidade de armazenamento de energia e elevado custo.

Não devemos olhar para as duas tecnologias como competidoras mas antes como complementares. Os supercondensadores podem carregar na travagem e usar essa energia no arranque mas não conseguem manter o veículo em andamento pois a sua capacidade de armazenamento é pequena. As baterias entram em ação após arranque e não são sujeitas a ciclos abruptos de carga descarga. Esta conveniente combinação de tecnologias resolve o problema da fadiga das baterias e do elevado peso fundamentalmente necessário para resolver o problema do arranque. Como conclusão, gostaria de reforçar a mensagem de que a solução para a descarbonização da nossa economia passa por soluções de alteração de paradigma que tornarão a gestão do sistema elétrico muito flexível, ajustando a procura às disponibilidades da oferta onde o veículo elétrico se insere no seu duplo papel como consumidor e fornecedor inteligente.


In www.portugalglobal.pt | janeiro 2015

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