Localizada numa antiga pedreira, que está 400 metros acima do nível do mar, a jazida de Cabeço da Ladeira deixou visíveis dezenas de fósseis de ouriços, estrelas e lírios do mar

Na rota dos 'santuários' paleontológicos da região

O LNEG desenvolveu o estudo dos fósseis da Jazida do Cabeço da Ladeira, em colaboração com dois paleontólogos - Bruno Pereira, estudante de doutoramento da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Bristol, e Pedro Pereira da Universidade Aberta


Ao JORNAL DE LEIRIA, o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), entidade que está a coordenar o estudo científico dos achados, explica que a importância dos fósseis do Cabeço da Ladeira se deve “ao seu estado de conservação e abundância”, que “não tem paralelo no contexto geológico nacional e é rara a nível internacional”.

“Os restos dos animais encontram- se fossilizados com todas as pequenas placas que compõem o seu esqueleto em articulação. Ou seja, estes animais encontram-se preservados praticamente como se estivessem vivos”, frisa aquele organismo, adiantando que estas condições “são favoráveis à ocorrência de espécies tipo, isto é, exemplares que permitem a identificação de novas espécies ou a melhor compreensão de espécies já descritas”. Por outro lado, a jazida dá indicações sobre “o ambiente de deposição e a paleogeografia do local há cerca de 169 milhões de anos”. “As rochas e os fósseis dizem-nos que neste local existia um ambiente marinho de baixa profundidade onde as águas seriam quentes e límpidas, ambiente próximo do que temos actualmente nos trópicos”, acrescenta o LNEG.

Dos mais de 100 fósseis já identificados na jazida, “uma dúzia de exemplares foi removida para estudo”, encontrando-se “depositada nas colecções do Museu Geológico do LNEG”. No lugar desses exemplares, “foram colocadas réplicas”.


in Jornal de Leiria - 23 de Julho de 2015

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