"Sem Partilha não há Desenvolvimento Sustentável”

A Revista Pontos de Vista conversou com Teresa Ponce de Leão, Presidente do LNEG, que revelou um pouco mais da evolução e dinâmica da instituição, aprofundando ainda a relevância do universo do LNEG no âmbito da orgânica da CPLP.


O Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) é uma instituição de I&D orientada para responder às necessidades da sociedade e das empresas. Apostando numa investigação sustentável como tem sido o percurso do LNEG no que diz respeito ao trabalho desenvolvido pelo Laboratório?

O LNEG tem uma postura de permanente análise das necessidades da sociedade e das orientações de política. Fomenta a discussão interna e externa sempre com base nas orientações europeias e do governo de Portugal.

Saliento ainda a nossa preocupação permanente num estado de prontidão que garanta respostas expeditas, enquanto especialista independente munido de elevado sentido de dever e interesse público. Para este desígnio muito contribui a nossa capacidade de trabalhar em rede bem como a orientação para objetivos através da monitorização da atividade de forma sistemática segundo as Normas ISO 9001:2008 e NP 4457:2007 e da acreditação do conjunto dos seus laboratórios no âmbito da Norma NP EN ISO 17025. De realçar que a certificação pela NP 4457, adquirida no final de 2014, permite estruturar o pensamento e sistematizar a nossa atividade principal, que é desenvolver conhecimento, desde a discussão de ideias até à capacidade de transferir conhecimento.

O LNEG procura financiar a sua atividade através do recurso aos programas de financiamento nacionais e internacionais e ainda através de contratos de investigação com empresas.

A par do que melhor se faz internacionalmente, o LNEG garante ter nas suas áreas de competência uma resposta adequada às necessidades do setor empresarial. Qual é o foco do Laboratório neste momento?

O foco é garantir que o investimento em conhecimento é aplicado de forma a permitir explorar de forma otimizada os recursos nacionais, isto é devolver ao país esse mesmo investimento. Uma grande preocupação tem sido garantir que os dados sobre os nossos recursos, sejam eles geológicos, hídricos ou energéticos são estudados e organizados de forma a transformá-los em informação útil e avançada.

  • garantia do referencial do conhecimento geológico-mineiro nacional e nas funções de Geological Survey,
  • referencial do conhecimento dos recursos energéticos renováveis (Solar, Eólico, Oceanos, Bioenergia – desenvolvimento dos respetivos Atlas),
  • manutenção da plataforma web para gestão, visualização e disponibilização de informação georreferenciada, nos domínios da Energia e Geologia (www.geoportal.lneg.pt),
  • garantia de presença ativa do Estado Português em diferentes Fora técnicos e científicos,
  • interação com o setor público e empresarial como Contract Research Organization.
     

Enquanto Laboratório com intervenção nas áreas da Energia e da Geologia, assistindo o governo nas políticas públicas, realizaram a primeira Conferência Energia para o Desenvolvimento da CPLP que decorreu no Centro de Congressos do Estoril nos dias 24 e 25 de junho de 2015. Com que propósito se realizou este evento? Qual a importância da cooperação internacional neste setor?

Os países da CPLP estão ligados pela língua e pelos laços de amizade. A conferência de 2015 visou estreitar e reforçar o clima de compromisso entre parceiros naturais e ainda valorizar a capacidade residente na CPLP para se afirmar como ator global no mapa da energia mundial. A CPLP poder-se-á afirmar como plataforma intercontinental para a concertação política e diplomática; garantir uma parceria de cooperação técnica, económica e financeira; ser interlocutor para a criação de negócios e geração de riqueza; e agente na produção de investigação, ciência e tecnologia e dinamizador de um modelo global de soberania energética e desenvolvimento para o séc. XXI.

Quais são as perspetivas de investimento energético nos países da CPLP? Petróleo, gás, renováveis, biocombustíveis são considerados investimentos complementares ou alternativos?

O LNEG enquanto organismo de investigação deve remeter a sua pronúncia para aspetos de caráter eminentemente técnico. Não se pode nem deve pronunciar-se sobre as estratégias do governo. Apenas poderá apoiá-las na tomada de decisão e estar apto a apoiar fundamentalmente no desenvolvimento da bioenergia, onde se insere toda a cadeia energética desde a biomassa ao biogás e biocombustíveis até às energias renováveis.

Na sua ótica, qual a importância de incrementar e melhorar as parcerias, o ambiente de negócios, o investimento e os modelos de cooperação? O que falta fazer entre Portugal e os países da CPLP para se caminhar no sentido de uma união energética?

Desenvolver modelos de exportação de conhecimento que simultaneamente levem o nosso conhecimento internacional avançado e maduro e transfiram esse mesmo conhecimento, através da formação adequada, em grupos de trabalho mistos que permitam a autonomização dos projetos e o estabelecimento de parcerias duradouras e sustentáveis onde a capacitação seja uma componente fundamental. Sem partilha não há desenvolvimento sustentável.
 


Fonte: pontosdevista.pt a 30 de julho de 2016

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