Geólogos portugueses contribuem para o estabelecimento de recorde mundial de longevidade para espécie de ave antártica

Os Geólogos Pedro Ferreira, do LNEG, e João Mata da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, IDL-FCUL, em missão de campo na Antártida, descobriram a carcaça de um Petrel-Gigante-do-Sul que se veio a apurar ter vivido cerca de 31 anos.


Petrel Gigante do Sul

No passado mês de Janeiro, uma equipa de dois geólogos portugueses constituída por Pedro Ferreira (Laboratório Nacional de Energia e Geologia, LNEG) e João Mata (Instituto Dom Luiz – Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, IDL-FCUL), em missão de campo na Antártida, descobriram a carcaça de um Petrel-Gigante-do-Sul que se veio a apurar ter vivido cerca de 31 anos.

A descoberta da carcaça do Petrel-Gigante-do-Sul, ave marinha polar, ocorreu junto à costa Norte da ilha de Nelson, no arquipélago das Shetland do Sul, cerca de 100 km a Oeste da Península Antárctica.

Arribas litorais da ilha de Nelson

Foi uma anilha no tarso da ave, numerada e com indicação da instituição que tinha procedido à sua colocação, que permitiu aos geólogos portugueses entrar em contacto com o “The North American Bird Banding Program” (sob direção dos Serviços Geológicos dos Estados Unidos), de modo a relatar a descoberta efetuada.

Anilha do Petrel

O processo de anilhagem científica de aves é importante para o estudo das suas deslocações, sobrevivência e comportamento, e os dados obtidos são usados, por exemplo, para monitorizar as respetivas populações, avaliar o risco de extinção de espécies ameaçadas e estudar os efeitos de contaminantes ambientais nas aves. Até ao presente, o programa Norte-Americano conseguiu recuperar informação referente a cerca de quatro milhões de anilhas. Este número é agora acrescido de mais uma unidade, mas esta associada a uma particularidade importante – o estabelecimento do recorde de longevidade do Petrel-Gigante-do-Sul (Macronectes giganteus) em 31 anos e 7 meses, superando em 20 meses a anterior idade máxima registada, de acordo com os dados do North American Bird Banding Program.

Os mesmos registos indicam que o Petrel descoberto tinha sido anilhado enquanto cria, ainda demasiado jovem para voar, na ilha Cormorant (uma pequena ilha do arquipélago de Palmer, com uma área de cerca de 13 campos de futebol (10 hectares), localizada no estreito de Bismarck), cerca de 400 km a Sudoeste do local onde foi agora descoberto.

O Petrel-Gigante-do-Sul, é uma ave cuja envergadura atinge frequentemente os dois metros, podendo pesar até 6 kg. Alimenta-se principalmente de krill (camarão do antártico) e lulas em águas costeiras e pelágicas, mas também é necrófaga (alimentando-se de restos dos cadáveres de pinguins e focas) podendo, igualmente, ser predador de pequenos animais, como os pinguins. A região habitada por esta espécie de ave estende-se desde a região antárctica até às latitudes subtropicais da América do Sul, África e Austrália. É uma ave que não se encontra em perigo de extinção e os dados sobre a sua longevidade são escassos, pelo que esta descoberta se reveste de especial relevância científica.

A missão portuguesa tinha como objetivos a realização de cartografia geológica e de amostragem de rochas para estudar o vulcanismo antigo daquela região, no quadro do projeto “Estudo geológico, geoquímico e do permafrost nas Penínsulas de Fildes e Barton, Ilha King George, Antártida” (I.P. Pedro Ferreira, LNEG), com financiamento do Programa Polar Português (PROPOLAR). Este projeto tem ainda como objetivo contribuir para a avaliação do estado térmico do permafrost (solo permanentemente gelado), extremamente sensível às alterações climáticas, e que tem estado a ser realizado por equipas de investigação do Centro de Estudos Geográficos / Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa (CEG/IGOT-UL).

Se é comum dizer-se que “nem só de pão vive o homem” esta contribuição dos geólogos portugueses, para o melhor conhecimento do tempo de vida do Petrel-Gigante-do-Sul, leva-nos a dizer que “nem só de rochas vive o geólogo”!
 


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