Investidores estudam solar no Alentejo e Algarve

Governo quer que REN antecipe os investimentos em rede ligados a projetos fotovoltaicos para ajustar a infraestrura ao interesse estrangeiro


Images/UIG via Getty Images

O Governo está a receber manifestações de interesse de investidores, nacionais e internacionais, para projetos de energia solar no Baixo Alentejo e Algarve. Estes projetos de centrais fotovoltaicas darão um impulso à produção de energia renovável em Portugal a partir do solar, que representou apenas 1,4% do total do consumo nacional em 2016.

“Há manifestações de interesse para projetos que totalizam perto de 2000 megawatts”, diz ao Dinheiro Vivo o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches. “Em termos de interesse firme os projetos são de 380 megawatts”, acrescenta o governante. Questionado sobre se estes investidores são nacionais ou internacionais, o responsável não concretiza, dizendo apenas que “há de tudo”.

“Os investidores estão a preferir Portugal, porque temos tido uma forte política na área de investimento nas renováveis e há interesse em alternativa a Espanha”, explica Jorge Seguro Sanches. Em causa está, segundo o secretário de Estado da Energia, “o percurso que o País tem feito no ponto de vista da previsibilidade do quadro regulatório para os próximos anos”.

Portugal tem apostado na energia renovável, que representou 57% do total do consumo o ano passado, sobretudo com o consumo da energia hidráulica, segundo dados da REN. Para este ano, a Associação de Energias Renováveis (APREN) prevê que as renováveis sejam responsáveis por 47% da produção, com o solar a pesar apenas 1%. Perante este crescimento, o secretário de Estado da Energia revela que o Governo está a trabalhar “na necessidade de ajustar a rede elétrica, sobretudo no sul, a esta nova realidade”.

Ao que apurou o Dinheiro Vivo, esse trabalho preparatório já avançou, quer em contactos com a REN quer nos estudos necessários: já foi pedido um estudo ao Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) sobre o potencial do solar no sul do país. Um estudo que já foi concluído pelo laboratório e que identifica os locais com maior potencial. Perante estes resultados, o objetivo será também procurar redesenhar a rede de transporte e distribuição de eletricidade tendo em conta os pontos de radiação.

A aprovação das licenças para a instalação de quase 400 megawatts para projetos fotovoltaicos foi feita no verão e permitirão duplicar a capacidade atualmente existente no país. E a maior parte dos megawatts que aguarda autorização para avançar é na área do solar – o interesse dos investidores nesta fonte renovável tem aumentado sobretudo devido à redução do custo dos painéis fotovoltaicos nos últimos anos.

Um dos projetos está pronto a sair do papel, noticiou o Expresso em novembro. A Solara4 está a promover um empreendimento fotovoltaico de 200MW em Alcoutim, no Algarve, e já entregou à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) uma caução de cerca de quatro milhões de euros. Portugal conta com vários projetos: o mais conhecido é o da Amareleja, da Acciona, e com capacidade instalada de cerca de 46 megawatts.

Investimento da REN

Perante o interesse em projetos solares o Governo quer que a REN antecipe os investimentos na zona sul do país, previstos para o final do plano estratégico 2016-2025, apurou o Dinheiro Vivo. O objetivo é adaptar a rede ao aumento de energia que chega à rede com novos projetos fotovoltaicos.
Segundo o plano da REN, consultado pelo Dinheiro Vivo, o investimento na ligação entre Ferreira do Alentejo – Ourique – Tavira, por exemplo, estava calendarizado para os últimos dois anos de implementação do plano e o objetivo é antecipá-lo.

Questionada sobre as alterações ao investimento, fonte oficial da REN explica que, no âmbito do contrato de concessão, a empresa tem de ligar os “novos centros eletroprodutores ao Sistema Elétrico Nacional”. O plano de desenvolvimento, “elaborado para um período de 10 anos, é atualizado de 2 em 2 anos, de forma a incorporar os desenvolvimentos decorrentes da política energética do País”. Esta atualização bianual deverá, assim, acomodar a aposta nos parques fotovoltaicos e o interesse de investidores.

O documento apresentado pela gestora da infraestrutura – e chumbado pela ERSE, em fevereiro do ano passado – previa um investimento de 1165 milhões de euros até 2025 mas o regulador concluiu que o pacote estava desajustado relativamente às necessidades do país. A decisão da ERSE não é vinculativa e a última palavra cabe ao Governo. Aliás, o plano será apresentado na Assembleia da República já no próximo mês, apurou o Dinheiro Vivo.

Fonte oficial da REN diz que, após o parecer do regulador, não houve ainda “deliberação por parte do concedente”, ou seja, do Governo e confirma a apresentação do plano de investimento aos deputados. A apresentação, diz a REN, será feita “no prazo que vier a ser definido pelo Governo”.

 


Fonte: https://www.dinheirovivo.pt | 26 de fevereiro de 2017

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