LNEG e Câmara Municipal de Lisboa colaboram na organização de Visitas Turísticas às Águas de Alfama

Esta iniciativa conjunta ocorre sem periodicidade certa, em datas de relevo para a preservação do património histórico e geológico, compreendendo as vertentes geológica, arqueológica, social e histórica da zona de Alfama.

No âmbito desta colaboração, e integrada nas Jornadas Europeias do Património, realizou-se no dia 22 de Setembro de 2017, a Visita Águas de Alfama: usos, espaços e memórias, organizada pelo Departamento de Património Cultural e Unidade de Intervenção Territorial Centro Histórico, da C.M.L., que se concretizou num roteiro de 2h30m, de manhã e de tarde, pela zona das águas quentes de Alfama.

As Águas de Alfama consistem num grande número de nascentes, já ocultas, de águas de circulação profunda outrora consideradas hidrominerais, por vezes hidrotermais. A sua origem encontra-se relacionada com a geologia e hidrogeologia locais e com o sistema de falhas que favorece a sua ascensão rápida e emergência à superfície por vezes com temperaturas que variaram entre os 20 °C e os 34 °C.

Utilizadas de forma intensa e diversificada ao longo dos tempos, salienta-se o excecional papel destas águas nos programas de abastecimento de água à cidade de Lisboa, no fornecimento das aguadas às embarcações, bem como o seu aproveitamento nos banhos com fins terapêuticos, vulgarmente conhecidos por Alcaçarias. O percurso definido percorreu lugares emblemáticos, visitando equipamentos hidráulicos e identificando os antigos balneários públicos, além de conhecer outras evidências reveladas pela arqueologia, vislumbrar ambientes e gestos hoje desaparecidos mas evocados pela toponímia ou ouvir as memórias da população local.  A informação disponibilizada privilegiou a hidrogeologia, arqueologia, história e urbanismo sem deixar de salientar as potencialidades futuras destas águas como recurso hidromineral e geotérmico.
 

Localização das Águas de Alfama relativamente à Cerca Velha e Cerca Fernandina

Localização das Águas de Alfama relativamente à Cerca Velha e Cerca Fernandina
(Ramalho e Lourenço, 2006).

 

Largo das Alcaçarias, no local do antigo Tanque das Lavadeiras   Local das antigas Termas das Alcaçarias do Duque

Largo das Alcaçarias, no local do antigo Tanque das Lavadeiras. Este largo é um dos locais mais emblemáticos da visita, na medida em que é rodeado por um conjunto vasto de estruturas hidráulicas já identificadas e classificadas como sendo de várias épocas, antigas termas e da Fonte das Ratas, muito famosa na década de 1960.

   

Local das antigas Termas das Alcaçarias do Duque, em atividade desde pelo menos 1640 e cuja concessão cessou em 1978, que atualmente se encontra em processo de adaptação para ser utilizado como um hotel e onde se podem ver ainda as antigas tinas das Termas.

     
Sondagem ML72 com 25,5 m de profundidade, efetuada no Chafariz de Dentro   Afluência à Fonte das Ratas no auge da sua popularidade (Diário Popular, 1963).

Sondagem ML72 com 25,5 m de profundidade, efetuada no Chafariz de Dentro, com água quente, a 25 °C evidenciando forte artesianismo (Moitinho de Almeida , 1972). Este Chafariz foi alvo de uma recuperação que lhe devolveu a dignidade e importância que teve para a cidade.

 

Afluência à Fonte das Ratas no auge da sua popularidade (Diário Popular, 1963). Esta consistiu  numa emergência de água quente posta a descoberto aquando de umas obras no Largo das Alcaçarias.Uma das hipóteses para este nome insólito dever-se-ia à pouca higiene existente no local.

     

Esta colaboração LNEG/CML relativamente a visitas turísticas às Águas de Alfama já tem lugar desde o início do séc. XXI.

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