Crocodilo de Chelas conta a história da zona oriental de Lisboa

Já ouviu falar no famoso crocodilo de Chelas? Viveu há 12 milhões de anos aqui na zona oriental de Lisboa e hoje é um dos protagonistas da história de Lisboa no Museu Geológico da capital.

 
Museu Geológico - Crocodilo de Chelas


Situado na Rua da Academia das Ciências,  o Museu Geológico é um dos segredos mais bem guardados de Lisboa. No bairro do Príncipe Real, onde foi fundado na década de 1870, há até quem não saiba da sua existência. “Não há muitos portugueses que conheçam o museu”, admitiu Miguel Ramalho,  geólogo, professor universitário e diretor há oito anos do museu.

Entre milhões de milhares de anos, o Museu Geológico é palco de histórias que deixam qualquer um encantado.  Nos corredores estreitos, em armários e vitrinas, estão armazenados milhares de fósseis, rochas e minerais, colhidos ao longo de várias décadas por geólogos portugueses e estrangeiros. Ao todo, são mais de quatro mil. E não faltam pequenos e grandes tesouros, como é o caso do crocodilo de Chelas.

Ainda não lhe foi apresentado? Trata-se de uma cabeça fossilizada de um super crocodilo que viveu num areeiro perto do Parque da Bela Vista, em Chelas há 12 milhões de anos. “Estima-se que devia rondar os oito, nove metros”, afirmou ao Orientre Jorge Sequeira, engenheiro geólogo.

Muitos dos animais antepassados dos que hoje povoam os trópicos de África existiam também em Chelas, na Charneca e no Lumiar. Se não fosse a exploração dos antigos areeiros de Lisboa, permaneceriam sepultados. Na sala onde está exposto o crânio do crocodilo de Chelas, repousam fósseis de outros, seus contemporâneos, entre os quais de mastodontes, rinocerontes e hipopótamos primitivos, como faz questão de sublinhar Miguel Ramalho. Até o tigre de “dentes de sabre” deambulava pelo Vale de Chelas.

Com um clima quente e húmido a zona oriental de Lisboa era composta por uma floresta densa e com grandes charcos. “Em Marvila, nesta altura, afloravam as argilas azuis de Xabregas. São argilas que se ambientaram em ambientes de grandes profundidades e onde foram encontrados restos de vertebrados marinhos, nomeadamente peixes, ossos de baleias e restos de peixes de grande profundidade”, revelou Jorge Sequeira.

Por isso já sabe, se quiser saber mais da história da zona oriental de Lisboa, vá até ao Museu Geológico e dê de ‘caras’ não só com o crocodilo de Chelas, mas também com o hipopótamo de Condeixa-a-Velha ou os fósseis quase microscópicos das cobras mais antigas do mundo.

Fonte: www.orientre.pt | 25 Março, 2019

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