Metas europeias para edifícios balanço quase zero não têm em conta a crise

As dificuldades dos custos associados não são exclusivas de Portugal

«A Directiva [dos Edifícios de balanço energético quase zero] foi pensada antes da crise e há objectivos que não estão em linha com a política do actual Governo», admitiu Rui Fragoso, auditor da Agência de Energia – ADENE. O responsável, presente na conferência “Edifícios Balanço Zero – Rumo ao Impacte Nuno da Construção e Reabilitação nas Cidades”, que decorreu terça-feira, alertou para os custos decorrentes da meta europeia que prevê que, em 2020, os edifícios novos tenham um balanço quase nulo de consumos energéticos.

«Se o melhor que fazemos agora [em termos do comportamento energético dos edifícios] será o minímo em 2020, vamos enfrentar custos elevados», avisou ainda o responsável. Por seu lado, o director do Laboratório de Energia do LNEG – Laboratório Nacional de Energia e Geologia , Hélder Perdição Gonçalves, frisa que as dificuldades dos custos associados não são exclusivas de Portugal. «Até nos países ricos estas metas estão em causa», adiantou.

As maiores preocupações residem, no entanto, nos edifícios já existentes. Por isso, e uma vez que a definição das regras nacionais ainda está a ser desenvolvida, Rui Fragoso lembra que é necessário ter em conta o custo e o ciclo de vida do edifício quando as avaliações segundo as metas europeias forem feitas.

Tendo em conta os custos elevados, o responsável da ADENE apontou ainda a necessidade de criação de planos de incentivo para a requalificação de edifícios existentes e para a construção de edifícios de balanço zero.

 

Autor / Fonte: Marisa Figueiredo

In Portal Ambiente Online a 24 de Novembro de 2011

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