Valorização de ETI's (EDP) - Valorização de Efluentes Térmicos Industriais em Agricultura Protegida – II Fase – Produção de plantas de espécies autóctones e protegidas de Portugal

resumo

O Projecto “Valorização de efluentes térmicos industriais em agricultura protegida – II Fase - Produção de plantas de espécies autóctones e protegidas de Portugal” desenvolve-se na Central Termoeléctrica de Setúbal (CTS) sob a coordenação geral da EDP – Gestão da Produção de Energia e a contratação do LNEG  para assegurar as competências de coordenação técnico-científica de forma a conciliar objectivos, ambientais, energéticos e sociais e prevê uma duração de 4 anos (2008-2011).

Trata-se da extensão da fase I do Projecto (1998 a 2005) que teve como principais objectivos a valorização do efluente térmico industrial da CTS, no condicionamento ambiental de estufas, tendo como resultado final a produção de plantas autóctones do Parque Natural da Serra da Arrábida para recuperação do coberto vegetal de áreas degradadas, sempossibilidade de auto-regeneração. Nesta fase a produção alcançou 80.000 plantas distribuídas principalmente por 10 espécies, destacando-se o medronheiro (Arbutus unedo L.), o zimbro das areias (Juniperus turbinata Guss.), o carvalho cerquinho(Quercus faginea L.), o carrasco (Quercus coccifera L.) e a murta (Myrtus communis L.). Como a produção ultrapassou as capacidades de recuperação daqueles habitats as plantas foram introduzidas em outros planos de recuperação de habitats dominados pelo mesmo tipo de vegetação. Assim foram contempladas as solicitações dos Parques Naturais de Sintra-Cascais (Praia da Samarra) e Serra da Estrela (Vale de Manteigas), da Tapada de Mafra, da CCDR do Alentejo (sistema dunar de Tróia), da Reserva Natural da Arriba Fóssil da Costa da Caparica (Mata dos Medos) e em diversosjardins e escolas dos municípios envolventes, nomeadamente de Setúbal e Palmela.

Esta II fase do Projecto, além da valorização do efluente térmico da CTS e respectiva monitorização dos parâmetros micro-climáticos do parque de estufas, tem como principal objectivo dinamizar acções de apoio à Conservação da Natureza e da Biodiversidade focadas, primordialmente e tanto quanto possível, na reposição dos habitats naturais nas áreas abrangidas pelos projectos, em curso e em carteira, de expansão da vertente hidroeléctrica do Grupo EDP e que incluem reforços de potência e novos aproveitamentos.

Com este fim, estima-se uma produção anual de 100.000 plantas de espécies autóctones, protegidas ou mesmo as ameaçadas de extinção. São espécies não disponíveis nos circuitos comerciais, que necessitam que as sementes sejam recolhidas “in situ” assegurando, deste modo, a sua identidade genética e proveniência geográfica. Amaioria das espécies de plantas já propagadas e/ou em estudo integram a lista de espécies de habitats protegidos definidos no D.L. nº 140/99 de 24/04.Foi nesta sequência que a EDP, afirmou a designação de comunicação deste projecto como “Estação de Propagação de Plantas Autóctones – EPPA”. As etapas de germinação, crescimento e aclimatação são monitorizadas e o respectivo acompanhamento da colocação em local definitivo e seu posterior desenvolvimento, obriga a uma articulação estreita com as entidades responsáveis pelas áreas intervencionadas e/ou a intervencionar.

O campus da EPPA (fig. 1) está localizado junto aos canais de rejeição do efluente térmico da CTS, ocupando uma área bruta de cerca de 5000 m2, dos quais 990 m2 são ocupados com 7 estufas (5 estufas de 90 m2 - E1 a E5 + 1 estufa com 360 m2 - E6 + 1 estufa com 180 m2 - E7), 360 m2 por um abrigo de aclimatação (A2), 700 m2 por uma zona de endurecimento ao ar livre, 100 m2 por um posto microclimatológico (fig. 2), monobloco de gabinetes e casa de apoio.

As estufas são as unidades experimentais, destinadasprioritariamente à produção de espécies autóctones e encontram-se adaptadas às necessidades de produção dessas espécies, assegurando a sua germinação, crescimento e desenvolvimento. Assim, estão equipadas com sistemas de aquecimento, constituídos por grelhas de tubos anelados - no solo e em posição aérea - onde circula permanentemente o efluente térmico. Os sistemas de controlo de aquecimento, ventilação, sombreamento e rega estão automatizados, individualmente por unidade experimental (estufa), sendo regulados de acordo com a fase de crescimento e época do ano.

Para acompanhamento diário do regime de produção das plantas, as estufas encontram-se monitorizadas por forma a seguir 55 parâmetros físicos, cujos principais são a temperatura e humidade relativa do ar, a temperatura do solo, a irradiação solar e a radiação térmica em diferentes posições das Estufas e Abrigo, assim como o caudal de ETI nos diferentes sistemas. A simultaneidade de monitorização no Posto Microclimatológico e nas Estufas e Abrigo, permite uma análise comparativa das condições de condicionamento ambiental em tempo real e o registo de dados para utilização em estudos de modelação e dimensionamento.

Os trabalhos iniciaram-se com a conservação das estufas e respectivos equipamentos da EPPA e com a produção de 10.000 sobreiros (Quercus suber L.) com origem no Parque Natural do Douro Internacional, dos quais 2.000 já estão plantados, Decorreu a campanha de recolha de sementes no Alqueva, na zona da Barragem de Picote e da Bemposta, nos Parques Naturais da Arrábida, de Sintra-Cascais e da Serra da Estrela (Mata do Desterro-CISE). Prevê-se para o Outubro/Novembro 2011, o início de recolha de sementes na zona do Baixo Sabor e eventualmente em Foz Tua. Esta fase pretende consolidar a valorização de efluente térmico da CTS no condicionamento ambiental, em estufas de produção agrícola e prevê equacionar como complemento térmico ao efluente um projecto de viabilidade de utilização de fonte energética renovável.

A implementação do Projecto consolida as três vertentes do desenvolvimento sustentável: a ambiental - através da minimização do impacte térmico no meio receptor (diminuição da temperatura do efluente utilizado), da redução de emissões de CO2 (substituição de fontes de energia fóssil), da reposição de habitats degradados e consequentemente do balanço positivo de sequestro de carbono ao longo do seu ciclo de vida; a económica - através do impacte positivo nas actividades económicas (redução da percentagem de reposição de plantas dos sectores da floresta do turismo e da agricultura), menores custos de manutenção e menores necessidades de água; a social- através da educação para o desenvolvimento sustentável da sociedade, da sensibilização para a conservação do património natural, do favorecimento da integração dos grupos etários, da promoção da criação de emprego e de uma melhor saúde ambiental.

O projecto pretende ainda consolidar o reconhecimento por parte do Sector Empresarial, da Comunidade Científica e dos Agentes Educativos, do empenho da EDP- Gestão da Produção de Energia, neste Projecto; da contribuição para a Conservação da Biodiversidade nas áreas de intervenção do Grupo EDP e nas áreas protegidas nacionais; e nacontribuição para o uso racional de energia em estufas agrícolas (substituição de fontes energéticas de origem fóssil).

 

Referências:

F. Rodrigues, D. Loureiro, I. Santos, C. Monteiro, G. Madeira (2010)."Recovery of quarries with autochthonous vegetal species at Arrábida Natural Park". Global Stone Congress 2010, 2-5 Março, Alicante - Spain: P3-01 – Poster.

F. Rodrigues, D. Loureiro, I. Santos, C. Monteiro e G. Madeira (2010). "Recuperação Ecológica de Pedreiras no Parque Natural da Arrábida". Conferência “Geodiversidade e Biodiversidade no Território do Litoral de Lisboa e Oeste” organizada pelo ICNB, 22 Abril de 2010 - Auditório da Ecoteca da Serra de Aires e Candeeiros – Porto de Mós – Poster

Rodrigues, F.; Loureiro, D.; Joyce A. & Peneda C. (2005). “Utilização de Efluentes Térmicos Industriais no Aquecimento de Estufas: Contribuição para uma Agricultura Sustentável na Serra da Arrábida”. Revista de Ciências Agrárias, ed. Sociedade de Ciências Agrárias de Portugal, Vol. 28, Nº 3/4, 125-137.

Rodrigues, F.; Loureiro, D.; Joyce A ; Peneda, C.; Santos, I.; Madeira, G. (2002). “Plantas da Arrábida – Projecto de Valorização de Efluentes Térmicos da Central termoeléctrica de Setúbal”. SPES Actas do XI Congresso Ibérico e VI Ibero-Americano de Energia Solar, 29 de Setembro a 2 de Outubro, Vilamoura (Algarve), Portugal, CD-rom.

 Rodrigues, F.; Semedo, C. M. Bugalho; Peneda, C. (2000). Utilização de Efluentes Térmicos Industriais no Aquecimento de Bancadas para a Propagação Vegetativa de Plantas Ornamentais. III Encontro Nacional de Plantas Ornamentais, 25 a 27 de Maio de 2000, Escola Superior Agrária de Ponte de Lima / IPVC. Ed. A P H, 153-162.

 Rodrigues, F.; Loureiro, D.; & Joyce A. (2000).  “Produção de plantas mediterrânicas com recurso ao efluente térmico da Central Termoeléctrica de Setúbal” Energia Solar, ed. Sociedade Portuguesa de Energia Solar, nº 47 Julho/Dezembro, 28-32.

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