NEFITAG - Movimentos Sísmicos Intensos e Efeitos Locais na Região do Vale Inferior do Tejo

resumo

O principal objectivo da presente proposta de investigação é a construção de cenários sísmicos para a região do Vale Inferior do Tejo (LTV). A concretização deste propósito obriga a uma caracterização, com elevada resolução, da estrutura (modelos de velocidade para a bacia), o emprego de métodos numéricos, à compreensão dos efeitos da propagação e do papel das heterogeneidades a diversas escalas, do efeito da topografia e os efeitos de amplificação local (efeitos de sítio). Para além da localização das fontes de sismos e caracterização das referidas fontes através da utilização de métodos geofísicos, este projecto tem uma forte componente ao nível da mitigação: com efeito, a modelação dos movimentos sísmicos, conjuntamente com a com a classificação dos solos, as cartas de liquefacção e uma completa descrição das frequências naturais, permitirão orientar os decisores na procura de metodologias para a redução dos danos provocados por sismos na região do Vale Inferior do Tejo Ao longo da sua história esta região foi abalada por vários terramotos: os mais importantes tiveram origem a sudoeste da Ibéria (Borges et al., 2001). Estes sismos, possuidores de elevada capacidade destrutiva, estão provavelmente associados a estruturas offshore localizada a sudoeste da costa portuguesa com orientação N-S a NNE-SSW (Zitellini et al., 1999, 2001, Grandin 2008a,b). O maior sismo histórico a afectar esta área e um dos maiores jamais descritos (Mw ~ 8.5) é o de 1. Nov 1755, o maior sismo instrumental desta região ocorreu em 1969 (Mw = 7.3) e o mais recente (Mw=6.1) ocorreu no dia 12 de Fevereiro de 2007(Borges et al., 2007). A área de estudo sofreu também os efeitos de eventos produzidos por fontes locais (Peláez et al., 2002, por exemplo), os quais originaram importantes percas de vidas e avultados danos materiais: destacam-se os sismos históricos 1344, 1531 e 1909 (Moreira, 1985; Henriques et al., 1988). A Localização das fontes destes eventos e a sua caracterização apresentam ainda algumas incertezas. Devido à escassez de descrições históricas o epicentro dos sismos de 1344 e 1531 encontram-se mal localizados, contudo, a destruição gerada por estes sismos na área de Lisboa não deixa margem para dúvidas quanto à sua origem na área do LTV (Justo e Salwa, 1998). Embora sendo um sismo instrumental, o acidente tectónico que originou o sismo 1909 (Mw = 6.0) que destruiu a vila de Benavente ainda é desconhecido (Teves-Costa et al., 1999; Dineva et al., 2002). O segmento central do sistema de falhas Ota Vila Franca de Xira-Lisboa-Sesimbra (OVLS) poderá estar na sua origem, ou então um sector encoberto da falha da Azambuja (Carvalho, 2003, Carvalho et al., 2008; Cabral et al., 2003, 2004), ambos com orientação NNE-SSW. Uma alternativa, conforme proposto por Stich et al. (2005), é a de o sismo Benavente ter sido gerado por uma falha coberta por sedimentos com orientação ENE-WSW. A geometria e topografia da Bacia Cenozoica do Baixo (LTCB) e bacia Lusitaniana do Mesozoico, situada a oeste da primeira, desempenham um papel importante no reforço da energia sísmica e nos efeitos de sítio dificultando deste modo a localização de eventos históricos baseadas no estudo da intensidade sísmica e reforçando os valores máximaximos espectáveis para o movimento do solo (Grandin et al., 2007a). A Liquefacção e a subsidência do solo são outro tipo de efeitos que frequentemente causam de muita destruição, particularmente em terrenos não consolidados. Existem claras evidências deste fenomeno na área em redor do epicentro do sismo de Benavente de 1909 (Choffat e Bensaude, 1912) e por isso será dado grande destaque a este tema.