METMOB - Mobilidade e difusão elementar e isotópica em minerais metamórficos de zonas de contacto com intrusões graníticas

resumo

Mobilidade, difusão e zonação química em minerais são assuntos discutidos por vários autores e têm sido largamente aplicados em estudos sobre metamorfismo. Todavia, o estudo do comportamento de diferentes minerais no que respeita à difusão de componentes químicos e à zonação de alguns minerais em consequência desse processo está longe de estar esgotado. Tal comportamento variável, resultante das características cristaloquímicas inerentes e específicas de cada mineral, poderá vir a mostrar-se interessante e até mesmo útil para fazer inferências respeitantes ao fluxo térmico e a outros factores de difusão, nomeadamente a presença e natureza de fluídos associados ao processo. De facto, é bem sabido como a presença de fluídos catalisa os processos de difusão inter- e intra-cristalina nas rochas. Assim, um estudo composicional, isotópico e cristaloquímico detalhado de minerais-chave em orlas de metamorfismo de contacto pode ser fundamental para caracterizar o fluxo térmico associado a intrusões ígneas.

Granitos e xistos são rochas dominantes no Norte e Centro de Portugal e estão estudados e cartografados em considerável detalhe. Rochas pelíticas formam, assim, o encaixante de um número considerável de intrusões graníticas tardi- e pós-hercínicas. Em muitos casos, a oral de contacto e as variações mineralógicas específicas resultantes destas intrusões são difíceis de definir, devido aos efeitos de fundo (por vezes intensos) do metamorfismo regional hercínico e, ocasionalmente, de processos hidrotermais ligados às próprias intrusões.
As rochas encaixantes do plutão granítico de Penamacor-Monsanto, apesar de partilharem muitas das características gerais atrás descritas, encontram-se um pouco menos afectadas pela assinatura regional hercínica do que os restantes enquadramentos graníticos no Norte e Centro de Portugal, tornando este maciço granítico um excelente caso de estudo dos efeitos do metamorfismo de contacto, passível de permitir definir critérios para distinguirn os efeitos meramente térmicos daqueles produzidos pelo metamorfismo regional e mesmo pela alteração hidrotermal associada às intrusões.

O estudo proposto tem dois objectivos principais:

  • inferir a presença de anisotropias no fluxo térmico associado à instalação do granito, e as suas causas possíveis, com base nos padrões de zonação químicos e isotópicos obtidos por de micro-sonda electrónica e por estudos isotópicos, e interpretados à luz de dados geotermométricos baseados em isótopos de oxigénio;
  • definir critérios cristaloquímicos e mineralógicos seguros que permitam distinguir, na zona afectada pelo metamorfismo de contacto, os efeitos específicos da componente térmica daqueles resultantes do metamorfismo regional e do metassomatismo associado às intrusões.
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