FREEZE - Descargas de Água Doce em Meio Marinho: Caracterização e Avaliação do Impacto nos Ecossistemas Costeiros do Algarve

resumo

Em Portugal, 70% do abastecimento de água doce é fornecido através da exploração de água subterrânea, cujos aquíferos se encontram hospedados em areias, arenitos e calcários existentes ao longo do litoral. É assumido em vários casos pela comunidade técnica e científica, com base em carga hidráulica, geologia, geometria dos aquíferos e modelos numéricos, que vários destes descarregam directamente para o mar. Contudo, nem a quantificação desta descarga, nem o mapeamento das emergências de água doce submarina foram realizados, assim como resta por conhecer o impacto ambiental que estes processos possam exercer nos ecossistemas.

Considerando que a identificação e quantificação das descargas de água (doce) submarinas (DAS) são essenciais para a gestão dos recursos hídricos e ecossistemas, a situação actual de sobreexploração dos primeiros e o risco dos segundos são cada vez mais uma prioridade. A sobreexploração observada na Beira-Litoral, Peninsula de Setúbal e Algarve levou à proibição da realização de furos para extracção, medida que prejudica o investimento local e desenvolvimento económico. Se fôr demonstrado que as DAS constituem uma parcela importante do balanço hidrológico, então as medidas de proibição de extracção impostas poderiam ser invertidas. Alternativamente, se fosse verificado que a DAS são uma magra parcela, maior atenção teria que ser ainda dispensada à gestão dos aquíferos e dos ecossistemas dependentes. Estes últimos são desconhecidos, podendo dar-nos importante conhecimento sobre adaptabilidade, diversidade e indicação da qualidade ambiental.

Hoje, considera-se assim, e cada vez mais, a DAS um assunto científico multidisciplinar  e de gestão de recursos naturais, cada vez mais importante.

São objectivos deste projecto FREEZE:

  1. mapear uma área na plataforma continental interna onde as DAS sejam conhecidas na zona intertidal;
  2. avaliar a quantidade de descarga;
  3. investigar o impacto das DAS nos ecossistemas;
  4. testar uma metodologia de detecção remotas das DAS;
  5. estabelecer uma metodologia-tipo aplicável a plataforma continental portuguesa.
     

Para alcançar estes objectivos reuniu-se uma equipa experiente de geólogos estruturais e marinhos, hidrogeólogos, geoquímicos, oceanógrafos e biólogos que em colaboração possam levar a bom termo as tarefas propostas.